José de Alencar, sobre a literatura:

"Palavra que inventa a multidão, inovação que adota o uso, caprichos que surgem no espírito do idiota inspirado".
Benção Paterna, 1872 - tem coisas que não mudam.




terça-feira, 9 de agosto de 2011

Erros, defeitos e outras pérolas.

Parafraseando Roberto Piva:
"se um dia eu parecer perfeita, vou dizer para mim mesma: onde foi que eu errei?".
O melhor amor é aquele que te ama, mesmo imperfeita.
O melhor amigo é aquele que conhece os seus defeitos.
O melhor parceiro é aquele que, vendo a sua fraqueza, não tenta te derrubar.

sábado, 6 de agosto de 2011

A HISTÓRIA DO MEU LIVRO (com 14 amigos)

História de um livro - A MEDIDA DE TODAS AS COISAS, por Nina Ferraz 7/8/11

Sempre gostei de saber da história de um livro, das circunstâncias em que ele foi escrito. O que se publica é o que todo mundo vê, saber dos bastidores é como ficar sabendo de um segredo, de uma intimidade. É como poder ver o útero onde os livros são gestados.

Todo mundo me pergunta como foi, para a gente, a experiência de escrever uma coletânea? Qual foi o caminho que percorremos do momento em que o livro não passava de uma ideia até a mesa do editor? Uma coletânea sempre tem muitas histórias. E são muitas as etapas: reunir as pessoas, escolher o tema, selecionar e trabalhar os textos, definir o título, escolher as epígrafes. É muito bom relembrar a história desse livro que escrevi junto com mais 14 amigos, escritores que eu gosto e admiro.

Embora entre nós já tivesse escritor premiado com Jabuti, a gente se conheceu na oficina de escrita do nosso querido Marcelino Freire, no Centro Cultural B-Arco, no primeiro semestre de 2010. Foi aí que a gente se apaixonou um pelo outro e pela ideia de trabalhar nossos textos considerando as impressões dos colegas. Por isso dedicamos o livro ao Marcelino.

A ideia surgiu com a emoção que dois textos que estão nesta antologia imprimiram na gente. “Copo de leite”, de Angela, e “Neblina”, de Lidia, fizeram o povo ir `as lágrimas. E além de emocionante, o tema é complexo e multifacetado. Estava decidido: vamos escrever um livro sobre pais!

Era abril de 2010. Mas o tempo passou e o grupo estava se dispersando. Paralela `a ideia do livro surgia a necessidade de ter uma sede, uma espécie de Clube da Esquina de escritores. Isso também se concretizou, e hoje nós somos o Grupo B-Eco, estabelecido na Rua Fidalga, 986. Mas voltando lá atrás, numa reunião embrionária, em novembro de 2010, na minha casa, Adriana, Angela e Danita deliberaram e me indicaram para organizadora do livro. Entrei em contato com os outros autores e todos ficaram imediatamente interessados em participar. Pedi que me enviassem os textos e os trabalhos seguiram rápido, muitas leituras e releituras em grupo. Não queríamos só histórias de pais bons, tinha história de homem que abusa sexualmente, que agride, que abandona. E como a vida é mais complexa que o bem e o mal maniqueistas, quisemos mostrar também as nuances e ainda explorar histórias que parecessem fábulas repaginadas, como nos textos que contam a relação de um pai desenhista com sua filha personagem de mangá ou do Super-homem com seu filho adolescente.

Mas e o título? Foi na leitura de Carta ao Pai, de Franz Kafka onde encontramos o título que resumia a ideia alinhavando os textos: o pai é o primeiro parâmetro que o filho usa para se avaliar e avaliar o mundo. A frase original é de Protágoras de Abdera, filósofo grego que, já no século V antes de Cristo, dizia: “O homem é a medida de todas as coisas”.

Tínhamos até aí trabalhado os textos e encontrado o título e uma epígrafe, com toda a seriedade e profundidade que o tema pede. Mas alguns dos nossos textos tinham um apelo mais leve, procurando a reflexão através do riso, então fomos buscar o outro lado da balança. Gargântua e Pantagruel, a série de livros do Rabelais, é um clássico renascentista e ao mesmo tempo um texto que consegue mover o leitor de sua zona de conforto. Caminhando no limite através de uma fabulação delirante, o autor busca o riso como forma de reflexão sobre os costumes. Nesse outro lado da moeda, encontramos a segunda epígrafe do livro. Era isso que queríamos: trazer a lume o conceito aristotélico de que o riso também é um caminho para a verdade.

A medida de todas as coisas é fruto de uma união fértil, entre amigos queridos. Sem dúvida a história deste livro, escrita a 15 mãos, foi uma história maravilhosa, que adoramos escrever.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A MEDIDA DE TODAS AS COISAS

RESUMO da REUNIÃO de A MEDIDA DE TODAS AS COISAS

de 03/8/11 – última antes do lançamento do livro

Presentes: Adriana, Angela, Carol, Danita, Dany, Giovanna, Lidia, Patrícia, Sandro, Rodrigo e Nina

1) Danita, nossa líder natural e coordenadora das atividades do B-Eco, abriu a reunião com muita alegria e descontração.

2) Danita comprou 15 pranchetas bem simples na Kalunga ($1,99 cada) onde Rodrigo vai colar etiquetas com a capa do livro e nossos nomes – usaremos as pranchetas no lançamento para identificação dos autores e apoio para as assinaturas

3) Lembramos que é muito importante fazer o convite pessoalmente para as pessoas que de fato a gente conta que estarão presentes.

4) Rodrigo Enge, editor da RDG, explicou que o livro está atrasado na sua impressão por problemas com a gráfica (defeitos na impressão), mas que os defeitos já foram resolvidos (outra gráfica foi contratada) e que o livro será entregue a tempo. Estivemos lá hoje, Rodrigo e eu, e o livro já está quase pronto – estão na fase final: cortar o miolo e colar a capa. Está lindo!

5) Distribuição do livro – será prejudicada devido ao atraso na impressão, mas assim que o livro chegar, o Rodrigo entrará imediatamente em contato com o setor de compras das livrarias. Como isso é burocrático e demora, Rodrigo, Lidia e Nina entrarão em contato com algumas livrarias (Nobel, Barco e Livraria da Vila) para a distribuição imediata via conhecimentos pessoais. Quem puder ajudar nisso é só falar.

6) Imprensa – ficou decidido que caso haja algum evento de imprensa sobre o livro, a Nina responderá pelo grupo. Conversamos um pouco sobre a minha impressão sobre os textos, a história do grupo, etc e salvo detalhes de menor importância, estamos afinadíssimos! (veja o meu texto que resume algumas das minhas impressões sobre o nosso livro, neste blog, em breve)

7) Angela informou que vai sair uma matéria sobre A medida de todas as coisas na Contigo deste domingo. Super parabéns e obrigada, poderosa Angelita!!!!!!!

FFabiana, assessora da Faa, informou que Faa e eu estaremos na Rádio Capital AM 1040 kHz amanhã 12h programa do Paulo Lopes. Valeu, Faa!

8) lembramos a todos que o release do livro foi feito pelo Rodrigo e pela Nina e está disponível no site da RDG

9) LANÇAMENTO EM SÃO PAULO: tudo certo!

10) LANÇAMENTO NO RIO DE JANEIRO: o lançamento no Rio será mesmo na Estação das Letras, em 17/9/11, as 15h e contará com a presença já confirmada de: Adriana, Angela, Dany, Danita, Giovanna, Nina, Patricia e Sandro. Estes ficarão responsáveis pelo evento (coquetel, etc) e pelos convidados. O Rodrigo ficará responsável pela impressão dos convites, frete dos livros e o contrato comercial com a casa. (IMPORTANTE: consideramos a possibilidade de mudar o local, a data, etc, mas concluímos que as opções que temos não oferecem maiores vantagens.)

11) LANÇAMENTO EM PERNAMBUCO: estamos organizando. Quando tiver algo mais definido avisaremos.

12) LANÇAMENTOS EM OUTRAS CIDADES: quem quiser organizar algum lançamento pode fazê-lo, mas antes de assumir qualquer compromisso favor entrar em contato comigo e com Rodrigo, nós marcaremos uma reunião para o grupo deliberar sobre cada atividade sugerida.

13) Conto com a presença e a pontualidade de todos no Lançamento, `as 18 h. Então, amigos, muito obrigada pela confiança e até a noite de autógrafos!

beijos

Nina Ferraz

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Nada.

Nem estou deprimida e me sinto um nada flutuando no mar. Será que é um progresso? Ou será que é grave?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O Mar Egeu

Olhando o mar Egeu, suas águas azuis, tão paradas feito um lago gigante:

talvez o menor caminho para a consciência não seja a razão, mas sim a sensação.

sábado, 9 de julho de 2011

Mulheres e a Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP)

De Nina Ferraz para o Garapa Paulista - 09/07/11 - As Mulheres e a FLIP

A programação principal da Flip 2011 tem 28 escritores e 5 escritoras. Essa desproporção evidencia que ainda tem muita coisa atrapalhando a marcha intelectual das mulheres, não somente as pedras irregulares do calçamento das ruas de Paraty. Principalmente para quem é pega de salto alto.

Mas o leitor pode ficar tranquilo: esse texto não é nem papo de feminista, nem de mulher que faz biquinho e reclama que sua beleza atrapalha, nem lista de argumentos para a instituição de uma política de cotas para mulheres nas discussões sobre literatura. Pelo contrário, essa reflexão assume sua importância se a gente sabe que é assim na Flip porque é assim no mundo.

Mas qual a opinião dos escritores sobre essa questão? Elegi alguns pontos de vista nas mesas oficiais, eventos paralelos e coletivas de imprensa.

Antonio Candido, na abertura da Flip, afirmou que a imagem de bom vivant de riso fácil e temperamento difícil atrapalhou a compreensão da obra de Oswald de Andrade no seu tempo. Isso nos remete`a concepção medieval do riso e `a obra de Aristóteles, claro, mas serve para mostrar a complexidade do tema comportamento também na contemporaneidade. A imagem da pessoa interfere sim na recepção da sua obra.

Pola Oloixarac disse, em coletiva `a imprensa, que resolveu acentuar sua imagem feminina quando percebeu que, não importa o que faça, o fato de ser mulher gera por si só um ruído que afasta a imprensa e `as vezes os próprios leitores da obra. Quando uma mulher está em foco, a discussão muitas vezes se perde em questões menores. Concordo.

João Ubaldo Ribeiro, perguntado diretamente sobre se a imagem feminina acaba por distrair a crítica, surpreendeu dizendo que não. Discordo. Adoro o Ubaldo, então fiquei sem palavras.

Anna Verônica Mautner, em conversa na Casa da Folha, disse que a questão de gênero hoje parece menos importante que a própria questão da imitação e assimilação dos códigos da tribo. Assim, para o indivíduo ser aceito e participar efetivamente de um grupo, imitar o comportamento da maioria é a chave mestra. Mas como o sexo é o fator mais importante que determina o comportamento do adulto humano, numa proporção de 28 a 5 (na Flip ou fora dela), parecer com a maioria não é tarefa fácil.

Eu fico com Contardo Caligaris que ousou dizer que nos nossos tempos de igualdade, não há tanta igualdade assim. E que as mulheres ainda estão longe de ser camaradas dos homens, no sentido de respeito mútuo `as semelhancas e diferenças. E ele foi mais longe: “o homem é um bicho frágil, e, como todo bicho frágil, reage com medo e agressividade”. Nesse “homem”, incluo homens e mulheres. Imprensa e escritores.

Espero que um dia, no campo das ideias, os homens deixem de reagir `a devoração antropofágica das mulheres e que as mulheres aprendam que a verdadeira mulher não precisa fazer biquinho e sim abrir mesmo uma boca incisiva de fera-camarada.

domingo, 3 de julho de 2011

Um mosquito na rede - autobiografia

Tudo revolve. Em círculos.

Revólver apontado com amor

Na cara.

Estou pronta:

Base

Sombra

Tiro vermelho

Na boca. Pahhhh!

Falso diamante

Engastado no pó.

Ponta de lápis preto

Gasto no Moleskine.

Risco de navalha coagulado

Dark.

Sigo na madrugada

Nada.

Tudo

Brilhando na tela do olho

Computador

Insônia.

Vou sem amanhecer

Penetrando na tela

No mosquiteiro

Chupando meu sangue

Voando baixo

Zunindo alto

Um aplauso plaft!

Insignificante!

Morra!

Viva!