José de Alencar, sobre a literatura:

"Palavra que inventa a multidão, inovação que adota o uso, caprichos que surgem no espírito do idiota inspirado".
Benção Paterna, 1872 - tem coisas que não mudam.




segunda-feira, 20 de junho de 2011

ARIANO SUASSUNA



Ariano Suassuna,
paraibano que cresceu em Pernambuco
Autor de O Auto da Compadecida e A Pedra do Reino,
disse:

"O gosto médio é mais prejudicial `a arte do que o mau gosto".

sábado, 18 de junho de 2011

Rimbaud: Vênus Anadiômene

Vênus ou Afrodite é a deusa grega do amor, que todos nós conhecemos. Um dos mitos diz que ela nasceu do sêmem de Urano (pai dos Titãs), após Cronos (deus do tempo) cortar os seus testículos e jogá-los no mar. Daí a pintura da mulher linda emergindo das águas ou, como ao lado, em cima de uma concha.

A visão de Rimbaud é bem diferente: ele descreve uma protituta saindo de uma banheira. Aproxima o sublime do grotesco de forma surpreendente e original.

Copiei esse poema do blog do Antônio Cícero, primeiro vai a versão em Português e depois em Francês.



Vênus Anadiômene

Qual de um verde caixão de zinco, uma cabeça

Morena de mulher, cabelos emplastados,

Surge de uma banheira antiga, vaga e avessa,

Com déficits que estão a custo retocados.


Brota após grossa e gorda a nuca, as omoplatas

Anchas; o dorso curto ora sobe ora desce;

Depois a redondez do lombo é que aparece;

A banha sob a carne espraia em placas chatas;


A espinha é um tanto rósea, e o todo tem um ar

Horrendo estranhamente; há, no mais, que notar

Pormenores que são de examinar-se à lupa...


Nas nádegas gravou dois nomes: Clara Vênus;

-- E o corpo inteiro agita e estende a ampla garupa

Com a bela hediondez de uma úlcera no ânus.


Venus Anadyomène - em francês

Comme d’un cercueil vert en fer blanc, une tête

De femme à cheveux bruns fortement pommadés

D’une vieille baignoire émerge, lente et bête,

Avec des déficits assez mal ravaudés;

Puis le col gras et gris, les larges omoplates

Qui saillent; le dos court qui rentre et qui ressort;

Puis les rondeurs des reins semblent prendre l’essor;

La graisse sous la peau paraît en feuilles plates:

L’échine est un peu rouge, et le tout sent un goût

Horrible étrangement; on remarque surtout

Des singularités qu’il faut voir à la loupe…

Les reins portent deux mots gravés: CLARA VENUS;

—Et tout ce corps remue et tend sa large croupe

Belle hideusement d’un ulcère à l’anus.


De:

O nascimento de Vênus, de William-Adolphe Bouguereau. Copiado de Wikipedia.

RIMBAUD, Arthur. Poesia completa. Edição biligue. tradução de Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Topbooks, 1994.

Obs.: A edição citada conta com excelentes notas explicativas.

POSTED BY ANTONIO CICERO AT 00:16

LABELS: IVO BARROSO, POEMA, RIMBAUD

terça-feira, 14 de junho de 2011

Destino II

Mulher polvo

Frita um ovo

De novo

Varre o chão

Desalimenta ilusão

Leva e traz

Nunca mais

Se arruma

Mais uma

Aguenta

Requenta

Sonolenta

Beija o bebê de novo

E de novo

Envelhece

Esquece

Desaparece.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Destino


Vênus de Milo

Bibelô de costela fundido

ouviu do pai

`a beira do Paraíso:

vai!

pecar!

sofrer!

e ser sem braços!

domingo, 29 de maio de 2011

Pedra, pedra, pedra

Pedra, pedra, pedra


Dor e dor e dor

É mancha.

Mágua.

Você rocha

Eu água.

Canto.

Brilho.

Lambo.

Lavo.

Seco.

Volto.

Corro.

Mínguo.

Viro lodo.

Caio.

Viro tromba.

Arrasto.

Corto.

E vou.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Fernando Pessoa disse

Para ser grande, sê inteiro.
Nada teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa.

Põe o quanto és no mínimo que fazes.

Assim, em cada lago,
a lua toda brilha,
porque alta vive.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um trecho de um poema de Drummond

Escrevendo sobre o ato de escrever, Carlos Drummond de Andrade disse:

O menino ambicioso
não de poder ou glória
mas de soltar a coisa
oculta no seu peito
escreve no caderno
e vagamente conta
`a maneira de sonho
sem sentido nem forma
aquilo que não sabe.